O concelho de Ferreira do Alentejo à imagem da região do Alentejo e das regiões do interior, em geral, vem desde há algumas décadas, a conhecer um processo de despovoamento acentuado.

De acordo com os dados censitários, entre 1960 e 1970 o concelho perdeu 24,6% da sua população residente. Durante os anos setenta verificou-se um processo de contenção nesta tendência e o concelho não só não perdeu população como registou um crescimento efetivo de 0,2% (Cf. Quadro I), Parece-nos que a estabilização da população residente, ao longo da década de setenta, é resultado de um conjunto de fatores conjunturais relacionados com os acontecimentos político - sociais decorrentes do 25 de Abril de 1974 O processo da Reforma Agrária e da distribuição de terras a agricultores e seareiros no Perímetro de rega de Odivelas, com particular incidência na Freguesia de Figueira dos Cavaleiros veio permitir a fixação de uma população rural que estava sujeita a frequentes movimentos pendulares sazonais de acordo com o mercado de trabalho. Nestes resultados é de salientar o contributo decisivo da Freguesia de Figueira dos Cavaleiros para o resultado obtido ao nível de concelho.


Quadro n.º1
 
ZONAS GEOGRÁFICAS

POPULAÇÃO RESIDENTE

CRESCIMENTO EFECTIVO

1970 1981 1991 2001 1970/1981 1981/1991 1991/2001
Portugal 8 663 252 9 833 014 9 867 147 9 957 270 13,5 0,3  
Alentejo 587 345 578 430 549 362 534 365 -1,5 -5,0 -2,7
Baixo Alentejo 172 100 158 957 143 020 134 914 -7,6 -10,0 -5,7

Ferreira do Alentejo

11 225

11 244 10 075 9 022 0,2 -10,4 -10,5
Alfundão 1 240 1 230 1 065 997 -0,8 -13,4 -6,4
Canhestros * * 660 540     -18,2
Ferreira do Alentejo 6 240 6 084 5 277 4 857 -2,5 -13,3 -8,0

Figueira Cavaleiros

2 165 2 447 1 753 1 532 13,0 **-1,4 -12,6
Odivelas 970 896 837 694 -7,6 -6,6 -17,1
Peroguarda 610 587 483 402 -3,8 -17,7 -16,8

Fonte: INE, Censos de 1970, 1981, 1991 e 2001

* A freguesia de Canhestros foi criada na década de oitenta e a partir das freguesias de Figueira de Cavaleiros e de Ferreira do Alentejo.

** Estimativa

De facto esta freguesia registou um crescimento real efetivo de 13%, foi a única freguesia do concelho com crescimento positivo e com valores que permitiram compensar as perdas de todas as outras freguesias. As quebras mais significativas verificaram-se nas freguesias de Odivelas e Peroguarda com 7,6 e 3,8% respetivamente.


O significativo acréscimo populacional observado em Figueira de Cavaleiros entre 1970 e 1981 não pode deixar de ser associado ao facto desta freguesia incluir 57,6% da área total de regadio do Aproveitamento Hidroagrícola de Odivelas, construído entre 1968 e 1960. A construção desta infraestrutura e os consequentes benefícios terão contribuído para alterar as perspetivas e/ou as condições económicas e sociais das famílias residentes e, pelo menos num primeiro momento, para contrariar a corrente migratória tradicional.


Na década seguinte (1981-1991) assiste-se de novo a uma inversão no sentido do crescimento efetivo do concelho registando-se uma taxa de crescimento negativa da população residente (-10,4%).

Estudos recentes constatam que esta perda da população residente se deve quase exclusivamente ao crescimento migratório registado ao longo da década de oitenta e que atingiu uma taxa de 103%, enquanto o saldo natural não foi além de -0,1%2.

Na última década o Concelho de Ferreira do Alentejo assistiu à confirmação desta tendência de quebra acentuada da população residente. Os resultados preliminares dos Censos de 2001 indicam-nos que o concelho perdeu, em média, nove pessoas por mês, durante a década de noventa, registando uma taxa de crescimento negativo de 103%. Estes valores são ainda mais preocupantes quando comparados com a evolução demográfica quer da região Alentejo que, no mesmo período, registou uma quebra de 2,7%, quer da sub-região do Baixo Alentejo, onde estamos inseridos, que perdeu 5,7% da sua população residente.

As freguesias de Alfundão e Ferreira do Alentejo foram aquelas que melhor resistiram à quebra da população com reduções de 6,4 e 8,0% respetivamente. Todas as outras freguesias registaram quebras com dois dígitos com particular destaque para Canhestros com 18,2% e Odivelas com 17,1 %.

De sublinhar as significativas quebras registadas nas freguesias de Figueira dos Cavaleiros e de Odivelas, numa espécie de movimento de ajustamento e compensação por terem sido as freguesias menos penalizadas na década de oitenta. O regadio aguentou o embate dos anos oitenta mas a continuação da crise no sector agrícola, sujeita ás regras e preços da PAC, acabou por produzir os seus efeitos embora diferidos.

Apesar do enorme salto qualitativo na melhoria das condições e qualidade de vida da população residente, o concelho continua a perder população a um ritmo muito superior aos valores médios registados para a Região e para o Distrito (Cf. Quadro 2).

Quadro nº2

NUTS      
CONCELHO 1991 2001 VARIAÇÃO em % 1991/2001
Portugal 9 867 147 9 957 270 +4,6
Alentejo 549 362 534 365 -2,7
Baixo Alentejo 143 020 134 914 -5,7

Ferreira do Alentejo

10 075 9 022 -10,5
Fonte: INE - Resultados Preliminares dos Censos de 2001

No concelho de Ferreira do Alentejo apenas as freguesias de Ferreira do Alentejo (20.6 Hab./Km2) e de Alfundão (18.9 Hab./Km2) apresentam valores superiores à média observada para o concelho. Esta situação é comum aos três períodos de observação, sendo também comum o decréscimo da densidade populacional em todas as freguesias.

Quadro nº3
Densidade Populacional

FREGUESIAS ÁREA

(Km2)

DENSIDADE POPULACIONAL
1981 1991 2001
Habitantes Habit/Km2 Habitantes Habit/Km2 Habitantes Habit/Km2
Alfundão 52,713 1230 23,3 1065 20,2 997 18,9
Canhestros 60,731   660 10,9 540 8,9
Ferreira do Alentejo 235,743 6084 25,8 5277 22,4 4 857 20,6
Figueira dos Cavaleiros 153,483 2447 15,9 1753 11,4 1 532 10,0
Odivelas 103,775 896 8,6 837 8,1 694 6,7
Peroguarda 42,903 587 13,7 483 11,3 420 9,4
Total do Concelho 649,350 11 244 17,3 10 075 15,5 9 022 13,9
Fonte: INE, XII Recenseamento Geral da População, 1981
INE, Censos 1991
INE, Censos 2001 - Resultados Provisórios

Quadro nº4
Evolução da Estrutura Etária da População/Ferreira do Alentejo
GRUPOS ETÁRIOS 1960 1981 1991 2001
Total HM Total HM Total HM Total HM
% % % %
0-14 3 806 25,55 2 352 20,92 1 841 18,27 1 157 12,84
15-24 2 520 16,92 1 615 14,36 1 336 13,26 1 179 13,08
25-64 7 464 50,11 5 443 48,41 4 938 49,01 4 429 49,16
65 e + 1 104 7,41 1 834 16,31 1 960 19,45 2 245 24,92
TOTAL 14 894 100 11 244 100 10 075 100 9 010 100

Quadro nº5
Estrutura Etária da População - Índices Resumo
ÍNDICES RESUMO 1960 1981 1991 2001
% de Jovens 25,55 20,92 18,27 12,84
% de Activos 67,03 62,77 62,27 62,24
% de Idosos 7,41 16,31 19,45 24,92
Índice de Envelhecimento* 29,0 104,9 106,5 194,0
Relação de Dependência** 49,2 59,3 60,6 60,7
Fonte: INE, X Recenseamento Geral da População, 1960; INE, XII Recenseamento Geral da População, 1981 INE, Censos 1991; INE, Censos 2001 - Resultados Provisórios
 * Relação existente entre o número de idosos e o de jovens, definido habitualmente como a relação entre a população com 65 ou mais anos e a população com 0-14 anos.
** Relação existente entre o número de jovens e o de idosos e a população em idade activa, definido habitualmente como a relação entre a população com 0-14 anos e 65 ou mais anos e a população com 15-64 anos.

Entre as questões demográficas e as questões do desenvolvimento existe uma relação muito estreita. A correlação entre demografia e economia tem sido assinalada por muitos autores ao longo das últimas décadas. R. Pressat sublinha, a este propósito, que um envelhecimento demográfico demasiado acentuado pode ser visto «como um obstáculo à criatividade, à mudança, à adaptação às condições de produção de um mundo em evolução rápida» (Pressat; 1979, citado in Adelino Torres; 1996; 149).

Alfred Sauvy, economista e demógrafo francês exprime a convicção de que «jamais, em tempo algum, houve consequências felizes para um país de demografia enfraquecida» (citado in Adelino Torres; 1976; 32). Para este autor francês, o crescimento demográfico é favorável, em si, ao desenvolvimento económico, porque estimula a invenção e obriga à pesquisa de novos recursos, enquanto o decrescimento é fator de desinvestimento e de desemprego. Pareto, enquanto economista, desde cedo atribuiu, nos seus estudos, importância à variável população, sublinhando a mútua dependência entre fenómenos demográficos e económicos: «O melhoramento e a deterioração das condições económicas de um pais estão em relação com os fenómenos da população» (citado in Adelino Torres; 1996; 30). Stmon Kuznet escreveu que «as modernas mudanças populacionais (...) têm sido, em larga escala, resultado do crescimento económico. Mas ao mesmo tempo (...) também influenciavam diretamente esse crescimento)», sublinhando no entanto, que nos seus trabalhos de investigação não encontrara nenhum exemplo de declínio durava) do produto per capita em territórios que registaram um crescimento generalizado da população (citado in Adelino Torres; 1996; 31).

Embora fruto da observação empírica parece-nos começarem a surgir Indicie* de que esta tendência está a ser contida. Nos últimos anos, as obras da Infraestrutura 12/Perímetro do Alqueva e a instalação de algumas empresas agrícolas de dimensão parecem estar a contribuir para essa mudança. A revisão do PDM pode confirmar essa alteração de tendënda se levantar os obstáculos existentes e criar condições para um mais rápido e sólido desenvolvimento do concelho.

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